Tá. Essa é mais uma tentativa frustrada de escrever sobre as frustrações que me assolam. Frustro-me. Está cada vez mais difícil identificar acertos e derrotas, frustrações e motivações, e todas essas coisas esdrúxulas que me deixam com uma puta vontade de escrever. Estranha necessidade de registrar tudo isso; melhor, é quase um capricho, um delírio pueril.
Sim. Há tempos não chamo mais a geladeira pelo nome carinhoso que dei a ela, Gordinha, nem sento no divã para uma consulta com o espelho, Reflex, ou comento com o sofá, Sito, como ele tem sido duro comigo ultimamente. É, chega de nomear objetos inanimados, personificá-los, como se assim eu conseguisse me sentir menos só, contando minhas novidades para um pedaço de metal ligado na tomada. Ele jamais entenderá por que meus olhos se encheram de lágrimas naquela reunião. Eu estou só. Absurdamente só, com um monte de quinquilharias ao meu redor, pessoas imaginariamente reais e um urso que me aconselha com seu silêncio. Só, sem nomes. Eu; taciturnamente, eu.
Tenho passado muito tempo na janela. Um minuto, meia hora, um dia inteiro. Um segundo é muito quando o silêncio não passa. Um único segundo enlouquecedor. Tem chovido, à tarde. Muito. Ah, minto. Tenho chovido, sim. A noite, principalmente. Logo eu, que nunca gostei de chuva. Tão gostoso sentir o sol e eu aqui, chovendo.
Vontade estulta de cair em uma toca de coelhos (!), mas não há coelhos desde o último show lúgubre de mágicas. Vontade de mascar uma goma que me tornasse pequenininha, mas também gigante. Para o primeiro caso, talvez nem precise de gomas. Talvez se abrisse uma porta e não uma janela.
Não. Volto para a janela. Um ventinho suave e minhas folhas vão todas para o chão. Só ficam as dores. Só, ficam as dores. Um sorrisinho, tímido, no canto direito da boca. Vai menina, deixa de ser Alice.
Sim. Há tempos não chamo mais a geladeira pelo nome carinhoso que dei a ela, Gordinha, nem sento no divã para uma consulta com o espelho, Reflex, ou comento com o sofá, Sito, como ele tem sido duro comigo ultimamente. É, chega de nomear objetos inanimados, personificá-los, como se assim eu conseguisse me sentir menos só, contando minhas novidades para um pedaço de metal ligado na tomada. Ele jamais entenderá por que meus olhos se encheram de lágrimas naquela reunião. Eu estou só. Absurdamente só, com um monte de quinquilharias ao meu redor, pessoas imaginariamente reais e um urso que me aconselha com seu silêncio. Só, sem nomes. Eu; taciturnamente, eu.
Tenho passado muito tempo na janela. Um minuto, meia hora, um dia inteiro. Um segundo é muito quando o silêncio não passa. Um único segundo enlouquecedor. Tem chovido, à tarde. Muito. Ah, minto. Tenho chovido, sim. A noite, principalmente. Logo eu, que nunca gostei de chuva. Tão gostoso sentir o sol e eu aqui, chovendo.
Vontade estulta de cair em uma toca de coelhos (!), mas não há coelhos desde o último show lúgubre de mágicas. Vontade de mascar uma goma que me tornasse pequenininha, mas também gigante. Para o primeiro caso, talvez nem precise de gomas. Talvez se abrisse uma porta e não uma janela.
Não. Volto para a janela. Um ventinho suave e minhas folhas vão todas para o chão. Só ficam as dores. Só, ficam as dores. Um sorrisinho, tímido, no canto direito da boca. Vai menina, deixa de ser Alice.

6 comentários:
vira homi moço c n eh homi n?
Qualquer comentário que eu fizer agora vai parecer muito superficial, mas eu até arrepiei quando li isso.
o que é a alice que você tanto diz?
eu sei que não é apenas um desenho, tenho vontade de ler o livro...
E falar em arrepio... né?
"Eu estou só. Absurdamente só, com um monte de quinquilharias ao meu redor, pessoas imaginariamente reais e um urso que me aconselha com seu silêncio. Só, sem nomes. Eu; taciturnamente, eu."
Intenso! :D
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